sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Resenha do Capitulo Amarelo e Vermelho: Aluna MICHELLE MOREIRA

RESENHA

Livro: GUIMARÃES, Luciano. A cor como informação: a construção biofísica,
lingüística e cultural da simbologia das cores. São Paulo: Annablume, 2000.

Capítulo Amarelo: tesouros do arco-da-velha

O texto discute sobre a dimensão cultural da cor, sabemos que os signos produzem fenômenos, a cor assumirá função de texto a partir dos rituais e mitos. As manifestações psicológica, fisiológica e física da cor, devem ser separadas para compreender a espera cultural da cor. A cultura é um sistema de códigos socialmente compartilhados. O armazenamento e a transmissão interferem no conteúdo da simbologia das cores.

A cor e a informação cultural

No carnaval de 1997, Joãozinho Trinta, carnavalesco da escola de samba Unidos da Viradouro, foi contra a tradição de entrar no Sambódromo com o abre-alas colorido com as cores tradicionais da escola e entrou com a cor preta dominante da comissão de frente, o que simbolizava as trevas que antecederam à criação do universo. O uso do preto foi arrojado e revelou toda a força que a informação cromática e se bem usada pode surpreender.
Fernando Collor de Melo, no auge da sua impopularidade realizou um pronunciamento apelando para que a população desse uma resposta aos que considerava uma minoria de baderneiros que tentavam desestabilizar caluniosamente seu governo colorido. A resposta do ex-presidente foi que a população se vestisse de verde e amarelo e sair de casa no domingo, dia 16 de agosto de 1992. No entanto a população se vestiu de preto, resultando no chamado “Domingo Negro”. Como a cultura, o símbolo não está morto e, assim, o bom humor, o escárnio e o deboche fizeram até mesmo o preto, símbolo ocidental de luto e de morte, vestir-se de alegria nesse texto cultural de uma manifestação popular de protesto político.
No carnaval o preto simbolizou as trevas e na política simbolizou protesto, nesses casos a cor foi usada na dimensão simbólica cultural.
Em 1984 o Brasil foi para as ruas de amarelo para pedir pelo voto direto pela Presidência da República, esse amarelo foi estudado, calculado, organizado e selecionado em um concurso de design. O amarelo cumpriu o papel de símbolo de alerta e como cor de melhor assimilação mnemônica. Para várias culturas o amarelo era relacionado à loucura, a mentira e a traição, a cor dos excluídos e dos reprovados.
Para a heráldica o amarelo é cor da inveja, inconstância, adultério e traição.
Já a atuação positiva, o amarelo é alegria, calor, ouro, fruto maduro e tropicalidade.

A cor e as estruturas dos códigos culturais

A estrutura fundamental dos códigos terciários, é constituída sobre oposições: ela é binária, a binaridade é organizada em polaridades, e a polaridade é assimétrica. A binaridade é fundamentada nos códigos primários, regulamentada pelos secundários e aplicada na dimensão cultural dos códigos terciários.
A correspondência cromática da binariedade vida-morte está na oposição branco-preto. O preto é a origem simbólica ocidental vinculada à morte, ao desconhecido, às trevas. O branco é a cor da vida e da paz.
A binariedade banco-preto é normalmente polarizada e assimétrica, atribuindo-se o valor positivo ao branco e o valor negativo ao preto, início e fim.
Atribui-se oposições na união, como é o caso das roupas de casamentos. Há vestígios marcantes de que o masculino relaciona-se não só com o lado direito como também com a cor preta, e o feminino com o lado esquerdo e a cor vermelha. Nos casamentos, atualmente substituíram o vermelho pelo branco.
 Os códigos culturais são também caracterizados pela polaridade. Na sinalização de trânsito o vermelho recebe valorização negativa, significa proibição e o verde, valorização positiva, significa permissão. Os valores são assimétricos.
A supressão da negação é obtida pela colocação de mais um elemento entre os signos opostos. A atuação de soluções é chamada de inversão de pólos. A intermediação de outra cor unindo os dois outros pólos é outro padrão para a solução da assimetria.

A classificação cultural das cores

O espaço-tempo pode determinar uma variabilidade na percepção das cores, entendendo a cultura como um sistema de idéias socialmente compartilhadas. A cor depende muito mais da linguagem natural e dos instrumentos de armazenamento e transmissão do que muitos outros códigos.
A cultura é dinâmica e há variabilidade em relação ao tempo. O preto é a cor do luto e da tristeza na maioria das culturas ocidentais, enquanto na China o luto se representa em branco. Assim a noção de cor é a mesma, o preto como cor negativa e o branco positiva; o que modifica seu uso é a percepção da morte naquela cultura, entendida como elevação espiritual, e do nascimento, quase um castigo.
Tratando da cor como processo comunicativo, podemos procurar as diversidades culturais: na sua organização, armazenamento e transmissão das informações cromáticas.
A confusão vocabular é rica aos nos mostrar a organização arbitrária das cores por determinada sociedade.

Capítulo Vermelho: violência e paixão

É preciso estudar as outras cores para entender a força do vermelho e dafinir seu espaço simbólico.

A agressividade do vermelho

O vermelho está no limite entre a cor visível, derivando daí parte da agressividade. É uma agressividade de caráter hipolingual, que somado à identificação da cor com o elemento mitológico fogo, como cor da proibição e com a cor do sangue, da violência, faz com que o vermelho também seja construído por sistemas de códigos hiperlinguais, o que joga para a segunda realidade. A agressividade do vermelho e a tranquilidade para o azul e cyan. Normalmente a noção de tranquilidade é atribuída ao verde, embora alguns azuis provoquem a mesma sensação devido à oposição ao vermelho.

A oposição do verde

A oposição verde-vermelho está relacionada à oposição água-fogo. Para analisar o verde, é preciso procurar a relação correspondente entre a expressão da física da cor verde e a sua percepção.
Verde cor da esperança. A deusa Vênus-Afrodite é a personificação e o aspecto feminino da natureza. O vermelho se oporá ao verde, ou fará uma união de complementares.
Verde cor do jogo. O verde como expressão do destino. A esperança também é depositada no jogo. Tratar de verde e fortuna é obrigatoriamente remeter ao símbolo contemporâneo da riqueza: dólar. O papel que o dólar desempenha, foi anteriormente do ouro, portanto do amarelo.
Verde cor da permissão. O verde era a cor da desordem, transgressão, tornou-se, cor da permissão, da liberdade, autorização. Tal inversão se deu quando o vermelho, que sempre foi à cor da proibição e do perigo, se considerarmos, como os pintores, as cores, vermelho, azul e amarelo como primárias.
Verde cor do equilíbrio. É atribuído ao verde por sua posição no espectro da luz e por ser a mistura de duas cores opostas, amarelo e azul, ou luz e sombra. É possível encontrar uma codificação binária e assimétrica, dois sentidos opostos para cada cor: um sentido positivo e um negativo.

Vermelho: violência e paixão

Ao estudar o vermelho, podemos encontrar significados opostos como violência e paixão ou guerra e amor.
Vermelho, cor do amor divino. Em sentido positivo, o vermelho buscará toda sua força no sangue de Cristo. A medicina utiliza o vermelho na cruz vermelha. O amor será também simbolizado pela estilização simétrica do coração, em vermelho.
Verde cor de Dionísio. Na cultura pagã, o vermelho é a cor da maçã do Paraíso, do vinho e das vestimentas de Baco, de Dionísio, do amor carnal, da paixão, do coração, dos lábios, do erotismo e da atração. O vermelho, como representante do fogo, aquecerá os amantes e o mesmo fogo indicará a cor da proibição. Representa a idéia geral de prostíbulo. As frutas vermelhas e doces, consideradas afrodisíacas. As sinalizações e os semáforos, passaram a utilizar internacionalmente o vermelho para a interdição ou para indicar perigo. No futebol, o cartão vermelho indica a falta grave e a exclusão do jogador. Na farmacologia, indica advertência ao uso do remédio sem prescrição médica. A idéia de perigo está igualmente presente em expressões como “estar no vermelho”. O vermelho é manifestação do sistema de alerta do corpo.
Verde cor da imposição. Como cor da proibição, o vermelho é a cor “do dizer não”. Vermelho é a cor utilizada na expressão máxima da autoridade do juiz de futebol. É a cor do controle.
Verde cor da guerra. O vermelho é a cor de Marte e dos guerreiros, já Marte é o deus da guerra e o elemento ferro, que corresponde a ele, remete à confecção de armas de guerra e a forja remete ao fogo. O vermelho é a cor do manto de São Jorge. É o vermelho das chamas do inferno. O vermelho é a cor da provocação nas torturas e das luvas de boxe.
Verde cor da revolução. É a cor do materialismo, a cor da ação e imposição, marcas dos processos revolucionários. O vermelho recebe a conotação de perigo.

Aplicação da simbologia do vermelho

As capas de revista

A revista Veja tem apostado em uma estrutura de capa monotemática: uma foto ou ilustração de fundo e uma chamada, e um segundo assunto em destaque na tarja diagonal no seu canto superior esquerdo.Com as preocupações básicas de visibilidade, legibilidade, equilíbrio, contraste e harmonia, a cor do logotipo deverá isolar o espaço institucional e, ao mesmo tempo, não se tornar m elemento estranho no conjunto da capa.As cores do logotipo de Veja, normalmente são independentes da informação veiculada e dificilmente terão alguma função simbólica. Quando a capa de Veja não usa o vermelho, recorre preferencialmente ao branco ou o amarelo e depois ao azul ou preto.As soluções gráficas são a aplicação da cor no fundo para assim interferir na percepção da figura principal; aplicação da cor nas letras; aplicação de signos tradicionalmente nessa cor; aplicação da cor a um objeto que não teria essa coloração; uso de recursos gráficos para destacar a área da imagem em que o vermelho está presente; e alteração de toda a cena para atender ao mesmo matiz.